“O culto do Espírito Santo” de Mário Lemos IMPÉRIO DO CAMINHO DO MEIO – DA BOA VISTA

“Fundada sob a designação de Irmandade do Império da Boa Vista em princípios do séc. XX, a qual conservou até finais da década de 50 do mesmo século. Era essa a designação daquele local, ainda hoje referido por muitos como tal.

Após a aprovação dos novos Estatutos elaborados com base no projecto-tipo da Diocese passou a designar-se por Irmandade do Espírito Santo do Império do Caminho do Meio.

Como curiosidade, referiremos que ainda é possível observar-se a designação anterior em elementos escritos de então, conservados pela atual Direção.

A sua estrutura, e alvenaria, de tipo tradicional apresenta na fachada duas datas: 1929 que é a data da sua inicial construção e a de 2003 que assinala o seu restauro face aos danos causados pelo sismo de 1998.
Realizava-se anteriormente no dia 15 de Agosto. Porém, atendendo a que nesse dia passou a ser celebrada a festa de Padroeira da Freguesia, Nossa Senhora da Graça, foi a realização do Império transferida para uma data móvel. O Domingo após o da Trindade, ou seja, no nono Domingo após a Páscoa.

Possui actualmente cerca de 22 irmãos e a Coroa, que antigamente cabia ao Mordomo por ordem rotativa da lista de irmãos, é agora entregue, por comum acordo, ao que se dispõe a servir naquele ano.

Assim, no dia da festa, é realizado um cortejo que partindo da casa do Mordomo se dirige à Igreja onde, durante Missa solenizada, se procede à coroação do Imperador.

Depois da coroação é reorganizado o cortejo que se dirige à sede social da Sociedade Filarmónica Unânime Praiense, onde são servidas sopas a todos os irmãos, familiares e convidados.

De notar que há cerca de cinco anos, por entendimento entre as Direcções dos quatro impérios da freguesia e da Unânime Praiense, foi decidido adquirirem, em conjunto, a loiça e demais utensílios inerentes à confeção e serviço da “função” e que todos utilizariam as instalações daquela sociedade, uma vez que nenhum dos Impérios é dotado de estruturas para tal fim.

À tarde realiza-se o arraial com arrematações abrilhantado pela filarmónica da freguesia, que o mesmo é dizer da casa.

Desde há vinte anos que não se realiza mudança da Coroa em final de festa.

Pela mesma altura, sensivelmente, os Foliões do Império do Caminho do Meio silenciaram as suas vozes. Vozes que desde a fundação do Império se faziam ouvir, no seu canto dolente ao som cavo do tambor, em alternância com os acordes musicais da Unânime.

Agora só esta anima os cortejos e ao arraial.

Como insígnias o Império possui uma Coroa com quatro hastes, encimadas por bola, pomba, bandeja de suporte e Ceptro, em prata e um Estandarte em damasco.

É um Império animado, o do Caminho do Meio.”

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